Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo, Feliz o ventre que te trouxe
Disse Maria: "Eu sou a serva do Senhor. Faça-se em mim segundo a tua palavra. Aquela que guardava tudo no coração"

Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo, foto Pascom de Guassussê
Evangelho de Jesus Cristo segundo Lucas (Lc 11, 27-28). Naquele tempo, enquanto Jesus fala ao povo, uma mulher levantou a voz no meio da multidão e lhe disse: "Feliz o ventre que te trouxe e os seios que te amamentaram". Jesus respondeu: "Muito mais felizes são aqueles que ouvem a Palavra de Deus e a põem em prática.
Palavra da Salvação
Reflexão do Evangelho
Muitas pessoas que ignoram o sentido do texto, interpretam os versículos do Evangelho como uma prova de que Jesus não gostava da própria mãe. Com isso pensam poder deslegitimar toda devoção mariana que se verifica na Igreja Católica. No entanto, não é isso que Lucas quer passar.
Nos tempos da formação do evangelho, alguns julgavam ter privilégios por serem do mesmo sangue de Jesus, ou por conviver com ele. Lucas mostra que isso não conta absolutamente nada. Deus pode suscitar filhos de Abraão até das pedras (Lc 3,8).
O que conta não são laços de sangue, de proximidade ou culturais, mas sim a observância da Palavra de Deus. Se assim for, quem primeiro observou a Palavra de Deus? Aquela que disse: “Eu sou a serva do Senhor. Faça-se em mim segundo a tua palavra” (Lc 1,38). Aquela que guardava tudo no coração (Lc 2,51).
Então, a devoção que a Igreja dedica a Maria celebra muito mais o “sim” dela do que propriamente a questão biológica da gestação e da amamentação, que na realidade são consequências desse “sim”. Com isso, Lucas mostra que as relações de consanguinidade, embora não sejam desprezíveis, não são privilégios para ninguém.
Quem observa a Palavra de Deus e a põe em prática, é feliz. Por isso, desde Maria, passando pelos apóstolos, pelos santos e santas da Igreja, até hoje, quem observa a Palavra de Deus participa dessa felicidade. Maria é para todos os observantes o modelo por excelência.
Trata-se de uma felicidade que é ainda maior do que a alegria de viver, porque acreditamos em uma vida sem fim, eterna. Maria, a Mãe de Jesus, não é somente afortunada por tê-lo trazido ao mundo, por tê-lo amamentado e criado; como percebia aquela espontânea mulher do povoado, senão, sobretudo, por ter sido ouvinte da Palavra e, por pô-la em prática: por ter amado e, por deixar se amar por seu Filho Jesus.
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